SLANG

TEE TIME #10
— Did Brian Eno Party?



 

Há muitos anos, numa Coimbra iniciática nestas coisas da música, um tipo com um nome de batismo tipicamente português mas um apelido pedido emprestado ao único teclista rock que alguma vez ficou bem com uma boa de penas (e, pelos vistos, ainda melhor com boas de pernas, mas essa é outra história – ou a mesma se pensarmos bem na foto que temos aqui em cima) ofereceu-se para me deixar carregar o molho de discos do seu herói que trazia consigo sempre que saía de casa. Os discos eram de Brian Eno, pois claro.


Lembro-me dos olhares de alguns dos meus amigos presentes, como que a dizerem-me «aproveita pá, é uma grande honra», mas eu recusei, o mais educadamente que consegui, até porque nunca gostei de carregar com discos que não viessem diretos aqui para casa. Escusado será dizer que fiquei marcado pelo tal tipo e nunca mais consegui ser aprovado pelo seu apertado círculo, que o seguia como a um guru. Anos mais tarde, lembro-me de ler qualquer coisa sobre essa pessoa vestida de homem aranha a dançar numa discoteca em Ibiza e pensei para mim que o «karma» pode ser uma «bitch», mas é uma «bitch» com boa memória.
 

Mas adiante, que me desvio… Brian Eno. Será que ele se divertia à doida, como questiona esta curiosa t-shirt aqui em cima? Há uma extraordinária peça de Lester Bangs sobre Brian Eno que nunca chegou a ser publicada, mas que pode ser lida aqui. Nela, o malogrado crítico dá conta de um encontro com o músico, seguido de um convite para ir até lá a casa ouvir uns discos, ao que Eno terá respondido: «“Sure,” he said, and then “Uh, say… um… would you happen to know any nice girls you could introduce me to?”»
 

Mais tarde, Eno voltou a cruzar-se com Bangs, que contou ao músico que estava a preparar-se para fazer uma peça sobre acompanhantes profissionais, o que levou o homem de Here Come The Warm Jets a contar-lhe o seguinte episódio: «“I called for a girl in response to one of those ads once. It said ‘Unusual black girls.’ So I phoned and said, ‘Just what do you mean by unusual?’ They said, ‘Just what did you have in mind?’ I said, ‘Well, I’d like one that was bald with an astigmatism.’ ‘Well, we’ll see what we can do,’ they said. They found the astigmatism but not the baldness.”
“Why astigmatism?” I wondered.
“I’m terribly attracted to women with ocular damage.”

 

Pergunto-vos: isto serão as palavras de alguém que não sabe divertir-se à grande? Isto, claro, são palavras do mesmo homem que no final das digressões com os Roxy Music gostava de espalhar pelo chão do autocarro as polaroides com as suas conquistas, uma sucessão interminável de retratos de mulheres bonitas que, dizem as más-línguas, foi a real razão para a sua expulsão da banda por Bryan Ferry. O clássico «Ou ele ou eu» (num filme de cowboys seria algo como «esta cidade não é suficientemente grande para nós os dois»…) ditou o afastamento de Brian Eno, não devido às «creative diferences» tantas vezes citadas, mas porque Eno, pelos vistos, divertia-se mais à doida do que o resto da banda toda junta, roadies incluídos.
 

Mais uma acha para a fogueira que responde à pergunta levantada por aquela t-shirt: «I think the trouble with almost all experimental composers is that they’re all head, dead from the neck down. They don’t trust their hearts, I think, and tend to take themselves with a solemnity so extreme as to be downright preposterous. I don’t see the point, really. I’ve always abandoned pieces which succeeded theoretically but not sensually». Palavras sábias de Brian Eno, uma vez mais a Lester Bangs. E ainda uma dica para engate: «I lean on a parking meter, and every time a beautiful girl walks by, I smile at her. If she smiles back, I invite her up to my flat for a cup of tea. I moved to New York City because there are so many beautiful girls here, more than anywhere else in the world».
 

Se Brian Eno se sabe diverter à grande (e à francesa)? Claro que sabe. Cá para mim, aliás, aquele pequeno escândalo aqui há uns anos com Bono fotografado num jacuzzi com umas moças exóticas foi ideia do produtor dos U2. Que responde pelo nome de Brian Eno.
 

 
 
 
— 20.00 €
A SLANG produziu a t-shirt do primeiro Rise & Flow Porto. O desenho é da autoria do atelier This is Pacifica encarregue da imagem do evento.
— 25.00 €
Para quem sempre simpatizou com o formato, a SLANG edita uma cassete de dois lados, bem grande para que não desapareça.
— 25.00 €
Para algumas pessoas são apenas percursos, linhas num mapa, caminha para o trabalho, férias, ou um ponto obrigatório para se chegar a algum lado. São sempre locais onde pensamos nas coisas, onde nos deparamos com outras pessoas a fazer o mesmo, ou onde estamos completamente sózinhos a ir para casa a meio da noite. A estrada é por vezes o melhor sítio para se estar.
— 20.00 €
— 25.00 €
— 25.00 €
Pilcrow é a designação em inglês para sinal de parágrafo, e este é o nosso sinal tipográfico usado para o assinalar.
— 25.00 €
— 20.00 €
A SLANG produziu a t-shirt do primeiro Rise & Flow Porto. O desenho é da autoria do atelier This is Pacifica encarregue pela imagem do evento.
— 25.00 €
Pilcrow é a designação em inglês para sinal de parágrafo, e este é o nosso sinal tipográfico usado para o assinalar.
— 25.00 €
One Shoe is better than two
— 25.00 €
Para quem sempre simpatizou com o formato, a SLANG edita uma cassete de dois lados, bem grande para que não desapareça.
— 42.50 €
Pack contem T-shirt + Albúm duplo Black Bombaim
— 25.00 €
One Shoe is better than two
— 25.00 €
Pilcrow é a designação em inglês para sinal de parágrafo, e este é o nosso sinal tipográfico usado para o assinalar.